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Sociedade Brasileira de Pediatria pede cancelamento de ‘Super Drags’, animação para adultos

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Em nota oficial, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) pediu que a Netflix cancelasse a estreia da animação para adultos Super Drags. O órgão vê com “preocupação”  a trama, que fala sobre jovens que trabalham em uma loja de departamentos durante o dia e à noite se transformam em drag queens para salvar o mundo “da crueldade e da caretice, enfrentando um vilão desaplaudido em cada episódio”, diz a sinopse.

Assista acima ao teaser de Super Drags, da Netflix

No texto, a SBP sublinha que “respeita a diversidade e defende a liberdade de expressão e artística na país”. Entretanto, são “contra a exposição de crianças e adolescentes a conteúdos impróprios na TV”. O órgão também acredita que há riscos em “discutir tópicos próprios do mundo adulto” usando uma linguagem infantil (no caso, um tipo de desenho animado e o elementos de super-herois).

A Netflix tem outras animações com temáticas adultas em seu catálogo, como Rick and Morty Archer. Há ainda as produções originais da plataforma: Big Mouth e BoJack HorsemanEm entrevista ao G1, João Coriolano, do Departamento de Pediatria do Desenvolvimento e Comportamento da SBP comentou que o que mais preocupa o órgão é o fato de trazer as drag queens como super heroínas.

A Netflix salientou que Super Drags é uma animação feita para uma audiência adulta. A plataforma de streaming garantiu ainda que a produção não aparecerá como sugestão para o público infantil.

Super Drags, assinada pelos brasileiros Anderson Mahanski, Fernando Mendonça e Paulo Lescaut, tem estreia prevista para entrar no catálogo da Netflix no segundo semestre deste ano. A plataforma liberou em maio um teaser de apenas 27 segundos da animação.

Leia na íntegra a nota da Sociedade Brasileira de Pediatria:

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), em nome de cerca de 40 mil especialistas na saúde física, mental e emocional de cerca de 60 de milhões de crianças e adolescentes, vê com preocupação o anúncio de estreia, no segundo semestre de 2018, de um desenho animado, a ser exibido em plataforma de streaming, cuja trama gira ao redor de jovens que se transformam em drag queens super-heroínas.

 A SBP respeita a diversidade e defende a liberdade de expressão e artística no País, no entanto, alerta para os riscos de se utilizar uma linguagem iminentemente infantil para discutir tópicos próprios do mundo adulto, o que exige maior capacidade cognitiva e de elaboração por parte dos espectadores.

A situação se agrava com o fim da Classificação Indicativa, decretado com sentença do Supremo Tribunal Federal (STF) que declarou inconstitucional o dispositivo do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) que estabelece multa e suspensão às emissoras de rádio e TV ao exibirem programas em horário diverso do autorizado pela classificação indicativa.

Essa decisão deixa crianças e os adolescentes dependentes, exclusivamente, do bom senso das emissoras de TV e plataformas de streaming, agregando um complicador a mais às relações delicadas existentes no seio da família, do ambiente escolar e da sociedade, de forma em geral.

Isso por conta do risco de exposição indevida desse segmento, por meio de programas, como esse desenho animado, a imagens e conteúdos com menções diretas e/ou indiretas a situações de sexo, de violência, de emprego de linguagem imprópria ou de uso de drogas.

Vários estudos internacionais importantes comprovam os efeitos nocivos, entre crianças e adolescentes, desse tipo de exposição. Ressalte-se o período de extrema vulnerabilidade pela qual passam esses segmentos, com impacto em processos de formação física, mental e emocional.

Sendo assim, a SBP reitera seu compromisso com a liberdade de expressão e com a diversidade, mas apela à plataforma que cancele esse lançamento, como expressão de compromisso do desenvolvimento de futuras gerações.

Além disso, a SBP pede aos políticos que, considerando a impossibilidade de recurso à decisão do STF, reabram o debate sobre a retomada da Classificação Indicativa ouvindo a contribuição dos especialistas, o que permitirá encontrar solução que não comprometa questões artísticas e assegure mecanismos de proteção para o público composto por crianças e adolescentes.”

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