Mateus Solano faz declaração de amor à mulher em entrevista exclusiva

Quarta, 17/06/2009 - 07:04h
Zé Paulo Cardeal/TV Globo
Mateus Solano
Mateus Solano não dá muita bola para a fama de galã que ganhou ao interpretar Ronaldo Bôscoli na minissérie "Maysa", exibida em janeiro deste ano na Rede Globo. Avesso a rótulos, ele quer mesmo é curtir a mulher, Paula Braun - para quem não se lembra, a moça é a dona do belo bumbum que deixa Selton Mello de queixo caído no filme "O Cheiro do Ralo" –, com quem mora há poucos meses no Rio de Janeiro.

Para as fãs que o escolheram o ator mais interessante da TV em pesquisa recente da revista feminina “Gloss”, nem adianta sonhar em tirar uma casquinha do bonitão. Em entrevista exclusiva ao TE CONTEI, ele se declara muito bem casado e dá o recado: "Tenho que ficar com a Paula para o resto da vida para continuar fazendo um bom trabalho".

Mateus é do tipo que mergulha de cabeça nos personagens. Prestes a interpretar os gêmeos Miguel e Jorge na próxima novela das oito, "Viver a Vida", repetindo a parceria com o autor Manoel Carlos e o diretor Jayme Monjardim, mostra-se um ator disposto a tudo pela profissão, até a interpretar uma cena de sexo homossexual, se um dia acontecer: “O grande barato da minha profissão é viver vidas diferentes”.

Leia a seguir a entrevista na íntegra.

TE CONTEI: Depois de “Maysa”, você volta a trabalhar com o autor Manoel Carlos em “Viver a Vida”. O que acha do universo que ele cria em suas novelas?
MATEUS SOLANO: É um privilégio ser guiado pelas palavras e pelo universo criado por Manoel Carlos. O Maneco é um dos melhores autores que temos. Não só pela fluidez dos seus textos e de suas tramas, o que para o ator é delicioso, mas também pelos compromissos sociais que ele traz a cada novo trabalho. Sempre tocando em pontos sensíveis da sociedade, promovendo discussões e mudanças. Acho que a arte está aqui para isso.

TC: Na novela, você vai fazer os gêmeos Miguel e Jorge. Como está sendo a preparação para se desdobrar em cena?
MS: Ensaio com a Patrícia Carvalho para tentar entender as diferenças entre os dois personagens. Também faço ensaios técnicos de marcação e câmera para criar as cenas em que eu contraceno comigo mesmo.

TC: Como foi escolhido para fazer o papel?
MS: O Rodrigo Lombardi, inicialmente, faria o papel dos gêmeos. Mas, como ele entrou em “Caminho das Índias” para viver o Raj, eu fui chamado, aos 45 minutos do segundo tempo, para fazer o teste para a novela e passei. Soube que meu teste foi muito bem recebido, tanto pelo Jayme quanto pelo Maneco, e logo me reservaram para "Viver a Vida".

TC: Sua participação em "Maysa" abriu os seus olhos para coisas que não conhecia da bossa nova?
MS: Cresci ouvindo muita bossa nova em casa. Mais até do que as outras crianças já antenadas com as novidades. Estudei em um colégio muito bom também, a Escola Parque, que sempre ensinou sobre a variedade cultural brasileira e a importância da música brasileira. Portanto, acho que já tinha uma bagagem bacana para me jogar no universo com o Bôscoli. Se existe algo para o qual a minissérie abriu os meus olhos e, acredito eu, os olhos de muitos brasileiros foram para a vida e a obra da Maysa.

TC: Se pudesse escolher, você optaria em viver naquela época? Por quê?
MS: Acho que viveria mais em paz naquela época, sem o ritmo avassalador destes tempos. A própria bossa nova fala de uma calma e uma simplicidade que me interessam muito. Mas havia também a alienação em relação ao que estava acontecendo no Brasil, uma ditadura covarde, especialmente com os jovens artistas, que torturava, censurava e reprimia.

TC: Depois de trabalhar com Jayme Monjardim em uma minissérie que abordou uma história tão íntima do diretor e que, coincidentemente, acabou despontando a sua carreira, como se sente repetindo a parceria?
MS: Trabalhar com o Jayme foi a melhor experiência que tive com um diretor na TV. Até pelo tempo que durou, porque antes de “Maysa” eu só havia feito breves participações e um papel coadjuvante na minissérie “JK”. Acho o Jayme um diretor muito sensível e esperto. Cheio de experiência, ele sabe perceber o que é bom para o projeto. Não para ele ou para qualquer outra pessoa, mas para a história que está sendo contada. Nunca vou me esquecer do que ele me disse uma vez quando eu não tinha gostado da cena e ele, ao perceber que eu não estava satisfeito, mandou repetir tudo: "Se você não está satisfeito é porque sabe fazer melhor. E o melhor para você é o melhor para mim, porque é o melhor para a minissérie". Estou muito animado em trabalhar com ele de novo em "Viver a Vida", apesar de saber que o contato será bem menor, já que na minissérie ele dirigia todas as cenas, o que não acontece em uma novela.

TC: Você disse que gosta de diversificar quando se fala em atuação. Inclusive, já fez até papel de mulher, como uma babá em um episódio do extinto programa “Sob Nova Direção”, em 2006. Faria um papel de homossexual com direito a cena de sexo, por exemplo?
MS: O grande barato da minha profissão é viver vidas diferentes. Como ator, estou sempre pré-disposto aos papéis mais variados. Mas todo o processo requer ensaio e preparação, principalmente quando se trata de universos diferentes do meu. Aos poucos, a TV vem quebrando alguns tabus. E este é um processo desencadeado há muito tempo, mas ainda não foi desmistificado. A sociedade e a TV se alimentam uma da outra e tem horas que não saem do lugar.

TC: Você namora a atriz Paula Braun há quanto tempo? Vocês já estão morando juntos? O que o casal gosta de fazer no tempo livre?
MS: Namoramos há mais de um ano e moramos juntos há alguns meses. Gostamos mesmo é de estar um com o outro em qualquer lugar do mundo.

TC: Você foi escolhido pelas leitoras da revista “Gloss” o ator sobre quem “elas mais gostariam de saber”. Em sua opinião, ao que se deve esse interesse?
MS: Acho super legal. Mostra a repercussão da minissérie e do meu trabalho nela. É claro que a figura sedutora do Bôscoli também ajudou.

TC: Na adolescência você fazia o mesmo sucesso que faz hoje com as mulheres?
MS: Fui uma criança tímida e um adolescente super ativo. O "sucesso com as mulheres" se deve à exposição na TV e a um personagem sedutor.

TC: O que você acha da sua fama de galã?
MS: Fama de galã é só uma fama. Galã é só um time. Como ator, jogo em qualquer time para ganhar.

TC: Sua namorada tem ciúmes do assédio?
MS: O assédio vem mais da imprensa. Tenho me preservado bastante. As fãs que quiserem o meu bem devem entender que tenho é que ficar com a Paula para o resto da vida para continuar fazendo um bom trabalho. Ela não tem ciúmes, somos muito bem casados!

TC: O que acha de mais bonito em você?
MS: Minha mão.

TC: Você vai gravar cenas de “Viver a Vida” em Paris. Você conhece a cidade? O que mais te impressiona sobre o lugar?
MS: Já fui a Paris três vezes. Adoro a cidade! O que mais me impressiona é o belíssimo encontro do passado com a modernidade e o amor que exala dos cantos da cidade.

Por Manoela Bowles, especial para o Te Contei

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