Mayana Moura fala sobre o comportamento de Melina em 'Passione'
Domingo, 25/07/2010 - 14:33h
Divulgação / TV Globo - João CottaMayana Moura interpreta a estilosa Melina
Em "Passione", Melina (Mayana Moura) parece finalmente ter dado uma trégua nas investidas em Mauro (Rodrigo Lombardi) ao aceitar o pedido de casamento do golpista Fred (Reynaldo Gianecchini). Ainda assim, a personagem vivida pela it girl da hora, Mayana Moura, deu show de persistência e atitude ao correr atrás mesmo do que quer - ou, melhor, de quem quer. "A mulher adota cada vez mais uma postura atuante no mundo moderno", contextualiza a ex-modelo.
O comentário da atriz reflete bem o cenário contemporâneo. Mas até que ponto esta mudança confronta o preconceito? Como as mulheres estão lidando com isso? Fomos perguntar a especialistas na área quais as causas e consequências desta nova era nos relacionamentos amorosos.
Segundo a psicanalista e psicóloga do Instituto de Psicologia da UERJ Susan Guggenheim, a discussão tem origem na inserção da mulher no mercado de trabalho. "Existe uma determinação cultural antiga de que a mulher deve ser passiva. Mas a partir do momento em que a cultura exige que a mulher tenha mais iniciativa em todos os campos da vida, como o profissional, o lado sentimental acaba sofrendo mudanças também e, consequentemente, a mulher passa a ser ativa no âmbito dos relacionamentos", explica.
Mayana conta que vê semelhanças entre ela e a personagem. "Interessante, conflituosa e cheia de dualidades como nós. Interpretar a Melina tem sido um desafio, uma responsabilidade, uma oportunidade única acima de tudo. Trabalhoso, mas muito gratificante. Me identifico com a determinação com que ela luta pelo que quer. O foco. Mas uma diferença que temos é que Melina é emocional, impulsiva e solar. Eu sou racional, reservada, e lunar", destaca. Atitude e iniciativa são duas palavras que fazem parte da personalidade da atriz: "O impulso de agir é recorrente. Sinto que é algo profundo e imutável do meu caráter. A ‘não ação' pra mim seria uma questão".
No entanto, para Mayana, existe uma linha tênue entre a independência que sente hoje a mulher e a imposição de um norma de mudança do comportamento feminino. Ela acredita que o "padrão social" em vigor é mais extenso do que antigamente. "O padrão social hoje não é tão claro e nem tão restrito como já foi um dia. Antes, se o homem não pagasse a conta, por exemplo, ele era considerado rude, mal educado. Hoje não é bem assim. Mas nem toda mulher gosta de ‘dividir a conta' ou se sente confortável em ‘ser convidada', e tem ainda as que dizem ‘deixa comigo, gato'. Cada uma tem um comportamento dentro da mudança de comportamento", filosofa.
Mais do que apenas o ingresso no mercado de trabalho, o psicólogo Silmar Coelho credita os "novos tempos" à conquista de postos de liderança, fato que a iguala financeira e intelectualmente aos homens. "A cultura, a abertura de trabalho para as mulheres e os postos de liderança que alcançam fazem com que elas tenham mais confiança em si mesmas. Hoje há mulheres em altos cargos. O problema é que muitas delas, ao se igualarem aos homens, também os imitam no que eles têm de pior, como vícios, busca do prazer e perda da feminilidade. Elas tem todo o direito de lutarem pela felicidade, mas essa busca não pode acontecer a qualquer preço", reforça.
A mulher com mais iniciativa pode ser ainda vista com preconceito, principalmente pelos homens, alerta Silmar: "É claro que depende do homem. Alguns que querem apenas ‘ficar' acham ótimo que a mulher ‘parta para cima', mas há homens que ainda preferem serem os ‘caçadores' e não a ‘caça'. Existe, para alguns, a suspeita de que a mulher ‘oferecida' não é confiável".
Já Susan Guggenheim acredita que a má interpretação vai variar de acordo com a estrutura de cada homem e da forma como ele leva a vida. "Existem muitos homens que são passivos, não conseguem gerir a sua vida ou chegar a um cargo melhor no mercado de trabalho e, por sua vez, não aceitam uma mulher que seja mais participativa e ativa que ele. Mas também existem aqueles que acham normal essa igualdade entre os sexos e aceitam numa boa as mulheres que têm iniciativa, já que dessa forma eles ganham uma parceira e uma relação de muito companheirismo", justifica.
Mayana faz coro com a psicóloga, que acredita que a dominação masculina está perdendo força. "A adoção de uma postura mais atuante por parte das mulheres fez com que os homens abrissem mão de seu instinto dominador e caminhassem no sentido de uma parceria necessária e enriquecedora com a companheira", reforça a morena.
O comentário da atriz reflete bem o cenário contemporâneo. Mas até que ponto esta mudança confronta o preconceito? Como as mulheres estão lidando com isso? Fomos perguntar a especialistas na área quais as causas e consequências desta nova era nos relacionamentos amorosos.
Segundo a psicanalista e psicóloga do Instituto de Psicologia da UERJ Susan Guggenheim, a discussão tem origem na inserção da mulher no mercado de trabalho. "Existe uma determinação cultural antiga de que a mulher deve ser passiva. Mas a partir do momento em que a cultura exige que a mulher tenha mais iniciativa em todos os campos da vida, como o profissional, o lado sentimental acaba sofrendo mudanças também e, consequentemente, a mulher passa a ser ativa no âmbito dos relacionamentos", explica.
Mayana conta que vê semelhanças entre ela e a personagem. "Interessante, conflituosa e cheia de dualidades como nós. Interpretar a Melina tem sido um desafio, uma responsabilidade, uma oportunidade única acima de tudo. Trabalhoso, mas muito gratificante. Me identifico com a determinação com que ela luta pelo que quer. O foco. Mas uma diferença que temos é que Melina é emocional, impulsiva e solar. Eu sou racional, reservada, e lunar", destaca. Atitude e iniciativa são duas palavras que fazem parte da personalidade da atriz: "O impulso de agir é recorrente. Sinto que é algo profundo e imutável do meu caráter. A ‘não ação' pra mim seria uma questão".
No entanto, para Mayana, existe uma linha tênue entre a independência que sente hoje a mulher e a imposição de um norma de mudança do comportamento feminino. Ela acredita que o "padrão social" em vigor é mais extenso do que antigamente. "O padrão social hoje não é tão claro e nem tão restrito como já foi um dia. Antes, se o homem não pagasse a conta, por exemplo, ele era considerado rude, mal educado. Hoje não é bem assim. Mas nem toda mulher gosta de ‘dividir a conta' ou se sente confortável em ‘ser convidada', e tem ainda as que dizem ‘deixa comigo, gato'. Cada uma tem um comportamento dentro da mudança de comportamento", filosofa.
Mais do que apenas o ingresso no mercado de trabalho, o psicólogo Silmar Coelho credita os "novos tempos" à conquista de postos de liderança, fato que a iguala financeira e intelectualmente aos homens. "A cultura, a abertura de trabalho para as mulheres e os postos de liderança que alcançam fazem com que elas tenham mais confiança em si mesmas. Hoje há mulheres em altos cargos. O problema é que muitas delas, ao se igualarem aos homens, também os imitam no que eles têm de pior, como vícios, busca do prazer e perda da feminilidade. Elas tem todo o direito de lutarem pela felicidade, mas essa busca não pode acontecer a qualquer preço", reforça.
A mulher com mais iniciativa pode ser ainda vista com preconceito, principalmente pelos homens, alerta Silmar: "É claro que depende do homem. Alguns que querem apenas ‘ficar' acham ótimo que a mulher ‘parta para cima', mas há homens que ainda preferem serem os ‘caçadores' e não a ‘caça'. Existe, para alguns, a suspeita de que a mulher ‘oferecida' não é confiável".
Já Susan Guggenheim acredita que a má interpretação vai variar de acordo com a estrutura de cada homem e da forma como ele leva a vida. "Existem muitos homens que são passivos, não conseguem gerir a sua vida ou chegar a um cargo melhor no mercado de trabalho e, por sua vez, não aceitam uma mulher que seja mais participativa e ativa que ele. Mas também existem aqueles que acham normal essa igualdade entre os sexos e aceitam numa boa as mulheres que têm iniciativa, já que dessa forma eles ganham uma parceira e uma relação de muito companheirismo", justifica.
Mayana faz coro com a psicóloga, que acredita que a dominação masculina está perdendo força. "A adoção de uma postura mais atuante por parte das mulheres fez com que os homens abrissem mão de seu instinto dominador e caminhassem no sentido de uma parceria necessária e enriquecedora com a companheira", reforça a morena.
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