Maria Maya diz que se identifica com sua personagem em 'Caminho das Índias'

Quarta, 15/07/2009 - 07:03h
Frederico Rozario/TV Globo
Maria Maya
Assim como Inês, sua personagem em “Caminho das Índias”, Maria Maya já foi uma adolescente moderninha que abusa de roupas extravagantes. Ela diz que foi a forma que encontrou de chamar a atenção da família para suas insatisfações: "A contestação dos jovens aos pais é primordial para que eles construam seus próprios valores. Me identifico com a independência e a segurança da Inês".

A rebeldia ficou para trás e, hoje, aos 28 anos, ela usa roupas mais caretas. A relação com a mãe, a diretora Cininha de Paula, também nunca foi tão intensa. A dica para manter um relacionamento familiar saudável? "O segredo da boa convivência está no afastamento, é importante saber o que é seu”, sentencia a atriz, que saiu de casa aos 17 anos para morar sozinha. Ela revela, em entrevista exclusiva ao TE CONTEI, que teve que trocar muita lâmpada e pintar paredes, mas o aprendizado não teve preço: “A independência dos pais foi dura no início, mas me ajudou a ganhar maturidade mais cedo”.

Foi a partir de então que Maria passou a correr atrás, ainda com mais vontade, de seus próprios interesses. E entre eles está o namorado, o ator e produtor Caio Zaccariotto, com quem tem um relacionamento de oito anos: "Temos um casamento eterno". Eles se conhecem desde a adolescência, época em que a atriz pensava como a farrenta e namoradeira Regininha, papel que interpretava em "Senhora do Destino", novela em reprise atualmente no "Vale A Pena Ver de Novo", da Rede Globo.

Leia a seguir entrevista na íntegra.

TE CONTEI: Sua personagem Regininha, em "Senhora do Destino", reapresentada atualmente no "Vale A Pena Ver de Novo", era mal aluna e só pensava em sair e namorar. Você se identifica com ela?
MARIA MAYA: A Regininha é uma personagem de 18 anos. Ela tem uma atitude típica de adolescente. Quando eu tinha a mesma idade também queria ter liberdade e procurar a minha própria identidade. Saí de casa aos 17 anos para seguir meu próprio caminho. A independência dos pais foi dura no início, mas me ajudou a ter maturidade mais cedo. Passei dificuldades, tive que pintar parede, trocar lâmpada, mas foi ao meter a cara no mundo que aprendi a fazer as coisas sozinha. Força de vontade e interesse movem o mundo. Morar sozinha me ajudou a ganhar mais segurança nas decisões sem depender da opinião dos outros, a manter boas relações com as pessoas e melhorou o relacionamento com os meus pais. A contestação dos jovens aos pais é primordial para que eles construam seus próprios valores.

TC: Em “Caminho das Índias”, sua personagem, Inês, tem uma relação conturbada com a mãe. Você e a sua mãe, a diretora Cininha de Paula, sempre tiveram uma boa relação? Qual é a dica para manter uma boa convivência?
MM: O segredo da boa convivência está no afastamento, é importante saber o que é seu. A Inês tem essa independência em relação à família dela, tem o seu próprio negócio e é segura com isso, mas bate de frente com a mãe quando se trata de questões que envolvem a esquizofrenia do irmão, Tarso (Bruno Gagliasso). Me identifico com a independência e a segurança da Inês. Na verdade, minha mãe é bem diferente da mãe da Inês. A Melissa (Christiane Torloni) é completamente alienada em relação aos filhos. Já a minha sempre me educou tradicionalmente e era muito rigorosa com os estudos. Até a chamávamos de “general”.

TC: Sua mãe lhe deu dicas no início da sua carreira?
MM: No início da minha carreira, minha mãe ficou totalmente do meu lado. Comecei na TV aos 9 anos de idade e, no teatro, aos 12. Foi ela que me apresentou o grande valor dessa profissão. Então, ficamos muito unidas nesse momento. Mas hoje eu prefiro não misturar muito as coisas. Construo os meus personagens e depois pergunto o que ela acha.

TC: Assim como a sua mãe, o seu pai, Wolf Maya, também é diretor. Pretende seguir este caminho?
MM: Já fui assistente de direção e me formei na Globo como diretora. Tenho vontade de seguir isso também, mas, por enquanto, vou aproveitar para trabalhar bastante como atriz. Existem temáticas e personagens que ainda quero abordar. Também quero explorar mais o cinema. Acabei de fazer uma participação em "Se eu fosse você 2" e adorei. Vou deixar a direção mais para a frente. Tenho um olhar muito forte para isso. Está no sangue.

TC: O que acha do estilo da sua personagem em "Caminho das Índias"? Você o imitaria na vida real?
MM: Ela tem um estilo contemporâneo arrojado, mas que não se define sob nenhuma denominação. As roupas que usa revelam uma rebeldia e uma vontade grande de se destacar da família. Eu também já me senti assim quando era mais nova, por isso acho bacana. Morava nos Estados Unidos e me vestia com roupas extravagantes também, mas hoje em dia não sou mais assim.

TC: Como definiria o seu estilo hoje?
MM: Eu não tenho um estilo de roupas definido, não sigo uma linha. Mas gosto de estilistas como Alexandre Herchcovitch e André Lima, que conceituam o que gosto de usar.

TC: Inês fala muitas gírias na novela, você adotou alguma? Quais são suas preferidas?
MM: Fizemos um trabalho de pesquisa muito grande, mas também pegamos algumas que eu uso constantemente, como "causar" e "bizarro".

TC: Há quanto tempo namora o ator Caio Zaccariotto? Pensam em se casar?
MM: Começamos a namorar há oito anos, mas para casar não existe data, existe amor. Temos um casamento eterno.

TC: Você pratica algum esporte?
MM: No momento não pratico nenhum esporte por uma questão de concepção de personagem. A Inês tem que ser meio desmilinguida, muito magra, por isso estou parada. Mas sempre fui atleta, fiz ginástica olímpica, balé e capoeira, que pretendo voltar a fazer assim que acabar a novela.

TC: O que pretende fazer depois da novela?
MM: Estive em cartaz com o espetáculo "Play" no Rio de Janeiro. Vamos fazer uma temporada em Niterói e, depois, em São Paulo. Tenho outra peça, "Ray Ban", para estrear na capital paulista em novembro. Então, devo ficar em função do teatro até o primeiro semestre do ano que vem. Depois, acho que vou voltar a fazer televisão, em alguma novela ou algo assim.

TC: O que gosta de fazer nas horas de lazer?
MM: Gosto de andar à cavalo no meu sítio em Lumiar (região serrana do Rio de Janeiro).

TC: Que tipo de músicas gosta de ouvir?
MM:
Sou DJ e tenho um gosto musical bem eclético. Escuto desde música clássica até eletrônica. Curto Morcheeba e Gotan Project, que mistura outros ritmos com música eletrônica. Mas também gosto de Billie Holiday.



Por Manoela Bowles, especial para o Te Contei

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