Diogo Nogueira e Roberta Sá contam sua trajetória na música brasileira

Sábado, 17/01/2009 - 20:23h
Te Contei
Diogo Nogueira e Roberta Sá
 
Com três e quatro anos de carreira, respectivamente, Diogo Nogueira e Roberta Sá são considerados duas grandes promessas do cenário musical brasileiro. Em uma conversa recheada de risos, informalidade e troca de ideias, os dois revelaram para o TE CONTEI que ficaram extremamente surpresos quando souberam da indicação para o Grammy Latino, na categoria melhor artista revelação, no último mês de novembro, e falaram sobre os planos futuros para a carreira. O cenário escolhido? Uma mesa de bar, no fim da tarde. Um costume bem carioca.

Além de disputar o posto de revelação do ano, Roberta também concorreu ao Grammy em outra categoria, melhor álbum brasileiro, por seu segundo trabalho, "Que Belo Estranho Dia pra Se Ter Alegria". Perguntada sobre o álbum, ela mostra que o projeto foi feito com muito carinho e revela que tem planos para colocar o show em DVD. "Eu fiquei superorgulhosa quando soube que o disco estava indicado. É engraçado porque eu acho que fico mais feliz dele ter sido indicado do que eu mesma como revelação. Sabe aquela coisa: 'Ai, porque o meu disco... Eu tudo bem, mas o meu disco...'", ri a cantora. "É ótimo ele estar tendo essa visibilidade toda. Tem muita coisa que eu acredito lá dentro. Eu ainda devo ficar mais um ano na estrada com ele, porque ainda estamos lançando em outros países que a gente não foi. Acho que dois anos é um bom tempo para trabalhar um disco. Amadurecer e ir colocando coisas novas, cantando mais à vontade. O que a gente tá querendo agora é colocar o show em DVD. Talvez isso role. É o próximo projeto. Diogo lançou tudo de uma vez, se deu bem. Foi esperto...", comenta Roberta, atiçando o colega.

O cantor, que também foi indicado à categoria de revelação no Prêmio Multishow em 2008, mas não levou o troféu, tem apenas um disco, “Diogo Nogueira − Ao Vivo”. Durante o papo, ele contou que pretende gravar seu segundo álbum este ano e explicou por que escolheu o Teatro João Caetano, no Centro do Rio, para marcar o início de sua carreira. "A gente escolheu o João Caetano para gravar o primeiro disco por causa de todo um contexto. Vimos que ali tinha uma energia legal e meu pai tinha uma história bem interessante ali. Foi o lugar onde ele praticamente iniciou sua carreira também. Achei que seria o lugar ideal. Deu sorte, um 'boom' legal na história toda.

O segundo CD já está sendo pensado. A gente tá trabalhando, estudando, pesquisando músicas", destaca o filho de João Nogueira, despertando a curiosidade de Roberta. "É o primeiro em estúdio, né?", pergunta a moça, para logo em seguida acrescentar: "Aquela que não se aguenta e fica perguntando que nem jornalista...", ri.

Começo da carreira

Pouca gente sabe, mas a cantora é formada em comunicação social pela UniverCidade, faculdade carioca. Antes de pensar em ser cantora, ela queria trabalhar como radiojornalista e só não seguiu em frente na profissão porque descobriu o talento para os palcos. Foi devido à insistência de uma professora de canto, Vera Maria do Canto e Melo, e outra de percepção musical, Laura Valle, que ela se inscreveu para os testes do programa "Fama Bis", do qual participou em 2002. "As coisas começaram a andar depois que, na mesma semana, a Laura e a Vera viraram e falaram: 'Olha, eu acho que você devia fazer alguma coisa com a sua voz'. Fiz teste para o 'Fama', fiz o 'Fama'. Lá eu conheci o Felipe Abreu, meu preparador vocal e professor de canto até hoje. Um superparceiro que me ajudou a fazer minha demo, que me aconselhou.

Meu caminho foi um pouco inverso. Eu gravei disco antes de ter muita experiência no palco. Quando lancei meu disco em 2005, tinha feito cinco shows a minha vida inteira. Mesmo depois que eu saí do programa, ainda não tinha certeza que queria ser cantora", revela Roberta. "É difícil pra caramba. Não é uma coisa que se decide assim da noite para o dia. Na primeira vez que eu viajei para fazer show e fui preencher aquele formulário da Embratur no hotel, não sabia o que escrever. Durante um bom tempo eu coloquei estudante", diz, às gargalhadas.

Os caminhos de Diogo foram tão espontâneos quanto os de Roberta. Após sofrer uma lesão, o rapaz largou os campos de futebol, onde já jogava profissionalmente, e começou a chamar atenção das pessoas por causa das "palhinhas" que dava em rodas de samba. "O meu último clube foi o Cruzeiro, mas eu fui mandado embora depois que tive uma lesão e fiquei um pouco deprimido. Quando voltei para o Rio, fiquei um mês, dois meses sem saber o que fazer da vida, aí comecei a ir para rodas de samba para curtir, tocar um pandeiro... As pessoas já sabiam que eu eu dava canja e começaram a me chamar e dizer: 'Você canta igual ao seu pai'. Fui chamado para fazer uma série de participações e a coisa cresceu, aumentou. Comecei a tocar na Lapa e os caminhos se abriram sozinhos, foi uma coisa muito natural", conta o sambista.

Sobre as comparações com o pai, Diogo parece muito tranquilo. Inclusive, em seu primeiro trabalho, ele faz questão de ressaltar suas raízes e regravou três músicas do pai no CD. "Nêgo vai comparar sempre, não tem jeito. Nossas vozes são muito parecidas e eu levo numa boa. Regravei várias músicas dele nesse CD porque aprendi a cantar com ele. No disco e no DVD eu mostro que aprendi com o João Nogueira e por isso fiz uma pequena homenagem. Depois vim com outros compositores, até chegar ao Diogo Nogueira como compositor", garante o cantor, que é apoiado pela colega. "Um professor excelente, né? Vamos combinar que estamos comparando ele com... (pausa em que a cantora fica sem palavras)... uma maravilha! Então é maravilhoso, né? Um orgulho!", destaca a moça, colocando um sorriso no rosto de Diogo.

Conquistas recentes

Além da indicação para o Grammy, Diogo e Roberta também comemoram outras conquistas. No dia 13 de outubro, a potiguar recebeu o título de cidadã carioca na Câmara dos Vereadores da cidade. Ela vive no Rio há 18 anos. Ao saber da novidade, o cantor carioca parabeniza a amiga e exclama: "Ah moleca!". "Agora eu sou carrrrioca", diz a cantora, puxando o erre. "Quero o meu crachá, como diria Fernanda Abreu... Foi maravilhoso, superemocionante. Minha família inteira foi. Minhas amigas foram. Só tinha amigos queridos na mesa: Ana Luisa, que é uma supercantora e compositora carioca, Marcelo Gonçalves, que é o violonista do Trio Madeira Brasil, Mário Adnet, Pedro Luís (namorado de Roberta). Tava superbacana, superfamília. Foi um chororô. Eu já me sinto carioca para caramba, mas agora eu tenho dupla regionalidade. Eu me sinto no Rio de Janeiro da mesma maneira que eu me sinto em casa em Natal", acrescenta.

A entrevista termina no mesmo clima em que transcorreu: de muita animação. Roberta e Diogo se preparam para filmar para a TV TE CONTEI. Bem que tentamos uma "palhinha", mas não foi possível. A cantora estava com uma inflamação no nariz. "Povo cisma com a palhinha, né?", comenta Diogo. "Eu sempre faço, mas vou te falar que hoje não vai dar porque estou com uma probleminha no meu nariz e estou tomando antibiótico para resolver... É verdade, gente! Meu nariz não é desse tamanho. Não consigo cantar nem uma nota. Diogo, você canta e eu faço assim", ri Roberta, batendo palmas e arrancando uma reclamação bem-humorada do colega: "Ih, sobrou para mim".


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Fábio Nakane

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