Alexandre Nero faz revelações sobre seu papel na próxima novela das 18h

Sábado, 20/02/2010 - 14:26h
TV Globo/Divulgação
Alexandre Nero
Alexandre Nero chegou à TV para ficar. Depois de atuar em "A Favorita" (2008) e "Paraíso", novela que antecedeu "Cama de Gato", atual das 18h, o ator está escalado para o próximo folhetim do horário, "Entre Dois Amores", com estreia prevista para abril. Com exclusividade ao TE CONTEI, Alexandre adianta, em primeira mão, os detalhes de seu novo papel, o grande vilão Gilmar: "Primeiro, não penso nele como um antagonista, para não ficar unilateral. Quero aproximá-lo do real, deixá-lo mais leve. Gilmar é o tipo de homem que busca os fins e não os meios".

Alexandre conquista, a cada dia, mais espaço na emissora que o projetou e revela que prefere não criar alvoroços em torno de seu primeiro vilão na carreira, para não aguçar a ansiedade: "Não crio expectativas em torno deste trabalho, sei que será muito importante na minha carreira, mas, se eu me preocupar com isso, ficarei nervoso. Quando se alimentam expectativas podemos nos iludir ou nos decepcionar. Fujo daquela ansiedade como faz um jogador que vai participar de sua primeira Copa do Mundo".

O tema central da trama de Elizabeth Jhin será o espiritismo. O ator curitibano, casado há oito anos com a atriz Fabiula Nascimento, do seriado global "Força Tarefa", não se considera religioso. Para ele, religião está em "fazer o bem, sem olhar a quem". Ele diz: "Acredito muito em energia. Sou o famoso "ateu, graças a Deus". Ateu até a primeira turbulência no avião (risos). Existem dias em que acredito, mas não é algo que tire o meu sono. Penso da seguinte forma: ‘Não creio em bruxas, mas que elas existem, existem'. Não me enquadro em nenhuma religião, as que me foram apresentadas não me convenceram intelectualmente. A minha religião é o amor ao próximo, a fraternidade", finaliza.

Leia a seguir a entrevista na integra.

TE CONTEI: Na novela "Entre dois amores", você interpretará o primeiro vilão de sua carreira. Como será o personagem?
ALEXANDRE NERO: Interpretarei o Gilmar, que um cara que tentará enganar todo mundo. É sem escrúpulos e sem caráter. Como sempre defendo os meus personagens, no meu ponto de vista, ele será um homem que luta para sobreviver neste mundo de ambição. Na verdade, é um homem comum, como todos nós. O Gilmar é secretário do doutor Ricardo Aguillar (Humberto Martins), que é dono de uma clínica de fertilização. O filho do Ricardo morrerá, mas a família descobrirá que ele deixou sêmens congelados, e o pai vai escolher procurar uma mulher para ser a genitora de seu neto. O típico conto da "Cinderela". É aí que o Gilmar entrará em ação.

TC: Qual é a função dele na trama?
NA:. O Gilmar irá jogar dos dois lados quando descobrir que Viviane (Nathália Dill) estava no carro durante o acidente em que Daniel (Jayme Matarazzo), filho de seu patrão, morrerá. Ele descobrirá que ela possui antecedentes criminais e começará a chantageá-la. No entanto, ao mesmo tempo, irá transformá-la em uma mulher atraente, para que caia no gosto do empresário e, consequentemente, seja a progenitora de seu neto. Mais tarde a polêmica será lançada: Ricardo se apaixonará por Viviane, que será mãe de seu neto. E tem toda a questão da genética, pois no Brasil a fertilização sem autorização não é permitida.

TC: Como tem se preparado para interpretá-lo?
AN: Tenho buscado o Gilmar na minha intuição. Primeiro, não penso nele como um vilão, para não ficar unilateral. Quero aproximá-lo do real, deixá-lo mais leve. O Gilmar é o tipo de homem que busca os fins e não os meios. Para compô-lo, busco dentro de mim um homem tão mal-humorado que faça as pessoas acharem graça, mas não ao ponto de soltarem gargalhadas.

TC: Um dos temas que a novela abordará será o espiritismo. Você é uma pessoa religiosa? Qual é a sua relação com a religião?
AN: Não acredito em espiritismo. Acredito muito em energia. Sou o famoso "ateu, graças a Deus". Ateu até a primeira turbulência no avião (risos). Existem dias em que acredito, mas não é algo que tire meu sono. Penso da seguinte forma: "Não creio em bruxas, mas que elas existem, existem". Não me enquadro em nenhuma religião, as que me foram apresentadas não me convenceram intelectualmente. A minha religião é o amor ao próximo, a fraternidade.

TC: Acredita em vida após a morte e em almas gêmeas?
NA: Na ficção, vale tudo, devemos abusar do surrealismo, tudo pode acontecer mesmo. Mas na vida real não acredito em vida após a morte ou em almas gêmeas. Seria uma injustiça muito grande da parte de Deus nos deixar presos a um único amor, sem poder buscar um novo.

TC: Quais são as suas expectativas para este novo personagem?
AN: Não crio expectativas em torno deste trabalho, sei que será muito importante na minha carreira, mas, se eu me preocupar com isso, ficarei nervoso. Quando se alimentam expectativas, podemos nos iludir ou nos decepcionar. Fujo daquela ansiedade como faz um jogador que vai participar de sua primeira Copa do Mundo. Penso que é mais um trabalho e que vou me empenhar como em todos os outros.

TC: Você é músico e compositor. Qual é a sua relação com a música?
AN: Antes de iniciar na carreira de ator, vivia da música. Tenho oito discos gravados. Sempre ouvi de tudo, mas minhas composições tem muita MPB. Minha prioridade no momento é a novela, mas quero muito que as duas coisas caminhem juntas.

TC: Você já compôs alguma música para a Fabiula Nascimento, sua mulher?
AN: Compus para ela uma música chamada "Tá Fazendo". A letra fala sobre coisas que só nós dois sabemos, coisas que só o casal pode entender.

TC: Vocês são casados há oito anos. Pensam em ter filhos?
AN: Pensar em ter filhos, pensamos, claro! Já fizemos algumas tentativas. Quem sabe daqui a alguns anos? Acho que falta um pouco de coragem da nossa parte. Mas não vamos demorar muito tempo para ter o primeiro filho, não. Nossas vidas sofreram uma mudança muito grande de dois anos para cá. Ontem éramos artistas de Curitiba, hoje somos nacionais.

TC: O que é melhor na vida a dois?
AN: O melhor da vida a dois é exatamente isso: os dois, o casal. É maravilhoso poder compartilhar, ter alguém como testemunha da sua vida, como se a pessoa tivesse te registrando. Ter alguém para te apoiar, que está contigo em todos os momentos, nas alegrias e nas tristezas. Se pararmos para pensar, todo mundo tem uma vida a dois, a três, a quatro entre amigos, entre a família, com a namorada. Ninguém vive sozinho. O casamento é apenas uma oficialização destas relações.

TC: Como começou na carreira de ator?
AN: Tudo aconteceu de uma forma muito inesperada. Ingressei na carreira por acaso, por curiosidade. Estreei no espetáculo "Chicago 1930", em 1995, em Curitiba, pensando na música, e a partir daí as coisas foram acontecendo.

TC: Que personagens você gostaria de interpretar?
AN: Não tenho um personagem específico, mas gostaria de fazer um tipo cômico, assim que surgir uma oportunidade. As pessoas estão muito desacreditas com os atores, porque elas acham que eles não podem se transformar. Quero mostrar minhas várias facetas como ator. O vento tem soprado a meu favor, nos últimos trabalhos tem aparecido bastante personagem diversificado. Estou longe dos palcos há dois anos e isso tem me deixado maluco. Sempre que assisto a um espetáculo, digo para mim mesmo: "Meu Deus, eu preciso voltar para o palco. Lá é o meu lugar, é o lugar de todo artista".

TC: Além da novela quais são os seus projetos profissionais?
AN: Irei lançar meu CD "Vendo o Amor" depois da novela. O álbum está pronto e tem 60 por cento de composições próprias, em torno da MPB. Depois penso em gravar um DVD e fazer shows. Estou com um projeto de transformar a peça "Os Leões" em um longa-metragem, além de outros projetos que tenho, mas que estão engatinhando.

TC: Porque escolheu falar sobre o amor? Este sempre foi o tema de seus trabalhos com a música?
AN: Engraçado, nunca cantei o amor antes. Sou do tipo de pessoa que é do contra sempre. Escolhi falar de amor porque as pessoas já estão cansadas de falar sobre isso, pelo menos as que fazem parte do meu universo. Quero mostrar as diversas formas e tamanhos do amor: tradicionalmente, como homem e mulher; sexualmente, de forma fraterna, e o amor de compaixão. O nome "Vendo o Amor" é bem triplo. Pode-se pensar no amor como uma forma de observar, vender ou vendar, de forma turva.

Por Renata Trindade, especial para o Te Contei

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